2009-06-24
Autor: Leandro Ferreira
Vascaínos de todo o mundo, minhas saudações.
O título da minha coluna é pesado mas tem seus motivos:
Vamos analizar o progresso ou retrocesso de alguns setores do nosso time de Janeiro de 2008 até o presente momento (metade de 2009).
Ano passado o Vasco tinha um time com alguns valores individuais muito bons e que vinham cumprindo ao menos razoavelmente seu papel, até bem em certas ocasiões: casos de Wágner Diniz, Leandro Amaral, Edmundo, Morais e no fim Madson e o jovem goleiro Rafael. Sem esquecer do garoto Pablo que foi vendido para o futebol espanhol.
Em contra-partida vinha mal no setor defensivo: Tiago, Roberto, Vílson, Jorge Luís, Fábio Braz... e também Wágner Diniz faziam do Vasco uma de suas defesas mais ineficientes da sua história - uma das mais vazadas do Campeonato Brasileiro de 2008 que terminou com nosso rebaixamento - em parte conseqüência de se sofrer tantos gols sem fazer na maioria dos jogos mais gols que sofria, como ocorreu.
Esse ano, surpreendentemente, nosso time perdeu apenas 3 partidas: estréia da Taça Guanabara contra o Americano de Campos, por 2 x 0; semi-final da Taça Rio contra o Botafogo (uma chinelada histórica que a torcida não merecia mas a atitude dos jogadores em campo, naquele jogo, mereceu) e, pela série B, em meio às partidas decisivas da semi-final da Copa do Brasil 2009, um jogo contra o Paraná (Paraná 3 x1 Vasco) no qual o adversário teve irregularidade comprovada pela TV no seu terceiro gol e, o Vasco, que saíra na frente, perdeu, mesmo após ceder o empate, um Hércules C-130 cheio de gols, que seriam suficientes para uma goleada histórica sobre aquele adversário.
Esse jogo contra o Paraná, sob tais circunstâncias, tinha time praticamente reserva durante a 60 a 70% dos 90 minutos (exceto o goleiro Fernando Prass e os titulares que entraram no segundo tempo como Ramon e Nílton), era na casa do adversário, gramado ruim, entre jogos decisivos de uma competição que o Vasco busca há muito tempo, houve erro de arbitragem e a incapacidade dos nossos atacantes de converter as chances em gols. Foi atípico. O Vasco dominou a partida quase completamente.
Ano passado, nosso ataque tinha nomes como Edmundo, que viera para encerrar sua carreira e Leandro Amaral que havia tentado sair para o Fluminense mas fora obrigado a retornar para cumprir um contrato assinado com o Vasco que usou uma cláusula de renovação automática que ele diz ter optado por assinar devido a conselhos do seu antigo assessor (o que não vem ao caso, assinou, cumpra ou vá a justiça... foi à justiça e essa entendeu que você está errado, cumpra sua parte ou pague sua multa de recisão de contrato) - independente disso, foi bem durante quase todo o ano, caindo muito de produção no último trimestre, após duas lesões. Além disso tínhamos o Jean, que ficou desmotivado por não ter tanto espaço no elenco (já que poucas foram as vezes que jogamos com 3 atacantes e mesmo com 2 ele era sempre preterido) e por fim acabou sendo liberado do cumprimento do seu compromisso de empréstimo.
Enfim, o ataque do ano passado era muito mais tarimbado do que o ataque atual (que conta com os quase desconhecidos Elton e Pimpão - reservas Edgar e Fernandinho - até o momento). Ambos ataques (2008 e 2009) tiveram dentre os seus reservas os garotos prodígios da nossa base Alex Teixeira e Alan Kardec (que ainda precisam provar muito no time principal para merecerem o adjetivo que proferi).
O ataque de 2008 não era nenhuma maravilha mas fez um número de gols mais expressivo que o atual - contando que tínhamos um jogador desmotivado por ser forçado a cumprir seu compromisso por causa de ordem judicial e outro já não tão inspirado quanto há 10 anos quando esse foi certamente o maior do mundo (mesmo ignorado pela FIFA). Contrastando com a péssima marca da defesa, não foi suficiente para salvar o time da segunda divisão.
O ataque de 2009 já é o mais fraco da série B após 7 rodadas e certamente, a incapacidade de converter oportunidades em tentos, nos fez sair da Copa do Brasil ainda que invictos (méritos da equipe, porém, também do técnico, do estádio, da torcida - principalmente da torcida que é um grande combustível desse time nesse ano).
A defesa desse ano, entretanto, tem sido responsável por tomar poucos gols (exceto em algumas ocasiões como naquele jogo da semi-final da Taça Rio em que fomos goleados). Se olharmos para os últimos 10 jogos, tomamos 3 contra o Paraná, 1 contra o Corinthians e foi só. Excelente marca, ainda mais se compararmos esse setor com o do ano passado.
O que mudou de tão positivo na defesa, além de muitos nomes, por acaso foi a disposição tática? Foi o amadurecimento de zagueiros novos que hoje são até mesmo titulares do time? Acredito que o conjunto e a garra. Os limitados jogadores Vílson e Amaral cresceram muito de produção, ganharam bons companheiros como Nílton, Fernando e Gian, além da boa fase do goleiro Tiago e do excelente goleiro titular Fernando Prass.
No ataque, o que mudou de tão negativo - cabem as mesmas perguntas. Mudaram quase todos os nomes (ficaram só Alex Teixeira, que amadureceu só um pouco e Alan Kardec, que pareceu-me bem na melhor oportunidade que teve - segundo tempo contra o Bangu na rodada final de classificação da Taça Rio - mas que teve poucas oportunidades. Dos novos nomes, convenhamos, nenhum deles se compara a Edmundo, Leandro Amaral e até mesmo Jean. Aliás, o Pimpão parece muito com o Jean mas, por ser mais novo, creio que ainda pode superá-lo (é vice-artilheiro do time esse ano, com poucos gols, dois se não me engano, de diferença para o "artilheiro" Elton). Tática creio que não é o problema... a coisa está mais na qualidade das finalizações e no posicionamento, além de faltar mais capricho nos meias e laterais naquele último toque que coloca o jogador em condição mais ideal para finalizar.
Enfim, o que ocorre é que estamos no inferno no que diz respeito ao ataque e já estivemos no céu no ano passado (metaforicamente falando, pois acho que mesmo no ano passado os tarimbados medalhões citados poderiam ter feito mais) e até em anos anteriores (com 40 anos o Romário foi artilheiro do Brasileiro em 2005 e o Alex Dias fizera muitos gols) ao passo que hoje o setor defensivo parece estar no céu e o ataque no inferno (e olha que o ataque começou até bem, fazendo suas goleadas e placares mais elásticos até as Quartas-de-final da Copa do Brasil de 2009).
Precisamos de mudanças, de melhorias para ser mais exato. Precisamos de nomes com mais qualidade para que esses nos assegurem o direito de cobrar (não quero que os jogadores atuais se ofendam, não estou os chamando de medíocres ou termo mais depreciativo - ao contrário, tenho fé que eles podem reverter isso), contudo, acho que nomes mais experientes e de mais sucesso nessas posições hoje carentes podem ajudar bastante a esse time entrar novamente nos trilhos, quem sabe até a tornar essa composição num Expresso da Vitória.
Para isso já temos o Aloísio (que precisa poder jogar e precisa nos convencer que apesar de mais velho, tem o mesmo gás e faro de gol dos tempos de São Paulo FC), penso que precisamos manter Carlos Alberto, Ramon e Nílton. Dar créditos ao Amaral e ao Vílson, torcer par ao bom nível mantido dos zagueiros Titi e Gian, para o Fernando Prass começar a fazer sombr no Júlio Cézar, na SeleçãoBrasileira, e, também, para o Tiago continuar em boa fase se tiver que voltar. Claro, precisamos contar também com os bons cruzamentos e faltas cobradas pelo lateral Paulo Sérgio.
Acredito piamente, hoje, que dadas as circunstâncias do jogador Morais e do nosso elenco, ele poderia, naturalmente, jogar ao lado do Carlos Alberto e conseguir o tão sonhado destaque e nosso reconhecimento positivo para alcançar uma boa transferência (para ele e para o Vasco) rumo à Europa - a chance está aí e fazendo isso, poupa-nos de ter de gastar recursos que não temos com a contratação de outro nome de peso.
No entanto, meus caros, também temos de voltar a lotar São Januário. Sem essa de 5, 6 ou 7 mil pagantes. Precisamos sempre ter mais de 15 mil pagantes (mesmo com todos trabalhando, estudando ou envolvidos com outros compromissos). Somos determinantes para as boas atuações dos jogadores. Vamos voltar a fazer nossa parte, deu certo até agora, por que não vai continuar dando? Sendo assim, espero ver São Januário lotado no jogo contra o Bragantino - temos seis dias para comprar nossos ingressos, vamos à luta.
Saudações Vascaínas!
Comentários dos leitoresEnvie seu comentário

Presente de aniversário VascaínoPor: Leandro Ferreira
Hora de pôr as contas em dia - literalmente!Por: Leandro Ferreira
ÔôooÔoooÔooO, Carlos Alberto!Por: Leandro Ferreira
Do “céu” ao inferno no gramado em quase dois anosPor: Leandro Ferreira
VASCO, é tempo de ajudar a ser ajudado!!!Por: Leandro Nolasco Ferreira