2009-07-16
Autor: Leandro Ferreira
Vascaínos de todo esse mundo, saudações!
Patrocínio da Eletrobrás e da Penalty consumados, programa de sócios que já repassou uma boa grana ao Vasco, enfim, em tempo, o dinheiro antes tão ausente na Colina, voltou a entrar nos nossos cofres.
Sabemos que o clube amarga um grande passivo – assunto sobre o qual não pretendo entrar no mérito de quem é o responsável – e que várias contas de serviços das sedes, processos, impostos e, principalmente, salários da turma do operacional Vascaíno estão em atraso.
Apesar de a grana dos patrocínios todos do Vasco, somada, se considerada um recebimento à vista, corresponder a, no máximo, um terço do passivo do clube, há de se comemorar que as receitas estejam aumentando, entretanto, infelizmente, há muito que se lamentar pelo tamanho das dívidas que o clube tem que honrar. Um déficit desse tamanho nos classificaria como insolventes claramente.
É uma pena um clube do tamanho do Vasco ter chegado a esse ponto e nada disso foi construído em 1, 3, 8, 10 ou 20 anos só. Acredito que essa ingerência toda veio ocorrendo durante todos os quase 111 anos do clube. Não que os antigos administradores fossem um bando de corruptos. Não sou irresponsável para afirmar coisas que sequer tenho tempo de investigar a fundo para tentar comprovar. E, também, longe de mim de cometer tamanho desrespeito a figuras públicas do Vasco como seus brilhantes ex-presidentes. Deixo essa tarefa para os radicais de plantão e para a mídia marrom.
Até dou minha opinião contrabalanceada, de forma educada, racional e de mente aberta, deixando claro que é apenas uma hipótese, quando me perguntam do nosso último ex-presidente ou da administração atual, por exemplo. Opiniões que apontam para uma direção de que, se forem comprovados desmandos, mazelas e até crimes, que as devidas punições sociais do clube sejam aplicadas – incluindo banimento – e que o Vasco sempre denuncie os responsáveis à justiça para buscar reparação pelos danos que foram causados à instituição deliberadamente.
No entanto, o assunto aqui é pagar contas literalmente, afinal. Por que literalmente? Fácil: porque estamos cheios de contas para pagar - óbvio. Sei que todo esse dinheiro, que face às dívidas, parecem até esmola, tem planejamento e diretrizes para serem usados (devido a restrições contratuais do nosso patrocinador master, que é uma estatal, isso será muito fiscalizado e cobrado). Tais restrições, sem pestanejar, o Vasco é obrigado a seguir e, para falar a verdade, eu acho muito bom, pois ajuda o Vasco a exercer uma disciplina financeira e contábil muito forte, que, em um longo prazo, pode fazer o clube figurar numa lista positiva de tributos e contas como há muito não se vê.
Pode parecer papo de maluco eu concordar com uma coisa dessas, como dito acima, mas para sair da lama, é preciso um planejamento muito grande. Ninguém vence crise sem executar com disciplina um plano. E como o Vasco não tem “papai e mamãe” para ajudar a entrar nos trilhos, está nas mãos dos administradores de hoje e de amanhã - c0mo já esteve nas mãos dos anteriores - resolver tal problema. Mas a concordância visa o longo prazo de fato.
Lembro-vos, no entanto, que eu não concordo com certos compromissos ficarem em débito, mesmo que parcial (tais como salários de funcionários, como alimentação de qualidade para os garotos da base, como contas de serviços básicos e necessários às sedes – luz, telefone, água, gás, aluguéis e Internet, por exemplo). Principalmente os dois primeiros, salários em dia para o pessoal do nível operacional e alimentação de qualidade para os atletas da base, merecem destaque.
Afinal, o maior capital de uma instituição é o capital humano. Seu corpo de trabalho que faz a instituição vigorar. São as pessoas que movem o clube, atuando no dia-a-dia. Como sócio às vezes eu imagino se quando não sou tratado como eu gostaria no Vasco (não digo falta de cortesia, mas uma falta de interesse ou de concentração no trabalho por parte de quem me atende) se é por falta de competência… logo, depois de um momento, às vezes de raiva, eu raciocino melhor e, por mais que vá de encontro ao profissionalismo, penso que é muito fácil alguém estar mais preocupado em tocar sua vida, pagar suas contas, etc., do que fazer o trabalho que é necessário ali (pelo qual você chega ao absurdo de ficar quase um semestre sem ser remunerado para manter sua vida em ordem).
O outro item de destaque não é menos importante e até pode ser similar, em verdade, através de uma isonomia, portanto, unificando os assuntos sob o ditado “saco vazio não pára em pé”. De fato, sem comer ou sem comer direito, ninguém tem forças para desenvolver um trabalho de qualidade. Caso isso se estenda, aí fica pior, ninguém sequer consegue desenvolver um trabalho, mesmo de péssima qualidade. Isso é aplicável à remuneração também, porque é através do dinheiro, que move a sociedade em que vivemos, que as pessoas alcançam o poder de se alimentarem satisfatoriamente, de pagarem seus compromissos e por aí vai.
Resumindo esse raciocínio todo que atinge os funcionários e atletas da base do Vasco: assim como eles, a instituição, ao meu entender, e no de muita gente racional, está onde está porque podemos comparar a um saco vazio (de recursos) que não parou em pé (com grandes jogadores, times, conquistas e até mesmo na elite do futebol, a qual alcançou brilhantemente há pouco mais de 80 anos e até então não havia sido perdida).
O Vasco precisa se sanear, enxugar custos (mas sem pecar na qualidade), atrair recursos, investimentos e interesses de torcedores, de novos torcedores, de parceiros comerciais e até dos seus ex-atletas, atletas atuais e futuros também – afinal, ninguém gostaria de ver um novo Edmundo, Romário, Roberto Dinamite, Juninho, entre outros, saindo do Vasco por falta de condições de permanecer (claro, observando o ridículo cenário do futebol mundial, que paga salários milionários até a quem é analfabeto – literalmente, funcionalmente ou metaforicamente, como os vários analfabetos da bola, os famosos bondes que estão por aí faturando alto - mas também observando o bom senso).
Em tempo, falando do Romário, lembrei-me do motivo dessa coluna (além de é claro o fato que merece vários brados de casaca, que é os bons patrocínios da Eletrobrás e Penalty): as dívidas. Não sei quanto, não sei quem, não sei quais, não sei para quem exatamente nenhuma delas, mas quem souber, ou se o clube estiver interessado em transparecer isso, aqui deixo um apanhado das minhas preocupações tanto de despesa quanto de receita:
Despesas:
* Dívida anunciada com o Romário – não sei quanto é exatamente, não sei se o Vasco está certo de apurar quanto é e não pagar enquanto isso - mas acho que já deu tempo de apurar e começar a pagar novamente. Embora acho que deva ser um dos últimos da lista devido à urgência das demais causas;
* Aluguéis do Vasco-Barra - muito urgente… Como está isso?
* Alimentação de qualidade para os garotos da base – é imperativo resolver bem e rápido (quantidade e qualidade);
* Pagamento em dia e até, se for correto, melhoria dos salários dos funcionários de nível operacional do clube (todas as sedes inclusive);
* Dívida com a aquisição de jogadores do futebol profissional;
* Pagamento de salário dos atletas e comissões técnicas de esportes olímpicos e do nosso tradicional remo;
* Despesas mensais com bancos e serviços essenciais;
* Processo que o Vasco está tomando ou já está condenado a pagar por eles;
* Custas administrativas e remuneração dos cargos de diretoria;
* Custas com terceirização de serviços como segurança e demais;
* Empréstimos;
Receitas:
* Programa de sócios - quanto o Vasco recebe afinal? Quantos sócios ativos?
* Parceria com a Penalty - já começaram a entrar os recursos? Quanto? Direcionado a que?
* Parceria com a Eletrobrás - primeira parcela já depositada? Se não podem pagar salários de setores administrativos com esse recurso, o que será pago com ele se não vai ser investido em contratação? A folha do futebol não está em dia? A folha custa 7 milhões pelo resto do ano?
* Dinheiro da venda do Morais - comprado pela metade do preço pelo Carlos Leite;
* Dinheiro da venda do Phillipe Coutinho - já se recebeu tudo? Com o que foi gasto?
* Cotas de TV e participação nos campeonatos, prêmio por avançar nas fases finais da Copa do Brasil;
Enfim, são preocupações com um sentimento de equilibrar as dívidas, pagar a tudo e a todos, para que tenhamos condições de ter times mais do que competitivos, bons atletas, enfim voltar a ser um clube vencedor de fato – não trate esse artigo como uma cobrança irresponsável e desenfreada para a atual diretoria – temos que ter tudo isso em mente para que o Vasco não padeça mais do que já tem padecido. Chega de ficarmos convalescendo com essa situação de quase uma década sem títulos e muito caos.
Logicamente, estou na torcida e na expectativa para que tudo isso se resolva muito bem e que o Vasco continue ganhando nos gramados para empolgar essa imensa torcida e ver seus sócios chegarem ao número da meta: 100 mil, e, assim, serem os principais patrocinadores do clube - o que acho totalmente viável, barato (com o rateio entre esse número todo de sócios adimplentes) e factível em até 4 anos (ou menos).
Não temos que exigir nada do Vasco a não ser que ele continue existindo e que seja sempre um altaneiro vencedor – o que, por óbvio – impacta positivamente, também, nas contribuições desses com a AMOVASCO e com a AAV. Com esses dois importantes empreendedores da causa Vasco indo de vento em popa, o saneamento do passivo e o investimento na estrutura e futuro do clube serão uma doce realidade.
Saudações Vascaínas!
VASCO ACIMA DE TUDO!
Comentários dos leitores
Endossando o pensamento, que nunca ninguém que se proponha a dirigir o nosso Clube venha se colocar acima desta Instituição a que tanto nos orgulhamos e sem história igual. Essas pessoas devemos impedir e realmente profissionalizar a gestão, pois o mundo moderno mostra que assim deve ser ou padeceremos de vez. Uma Instiruição bem dirigida com certeza atrairá os investimentos tão necessários, pois ninguém que colocar cifras em poço sem fundo, ou seja, queremos a certeza que apenas a Instituição é o obejtivo, e não interesses alheios e pessoais.

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